quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Para Wallon, cognição e afetividade não são dissociáveis...

Foto: Wallon levou não só o corpo da criança mas também suas emoções para dentro da sala de aula

"A criança responde às impressões que as coisas lhe causam com gestos dirigidos a elas" 

Falar que a escola deve proporcionar formação integral (intelectual, afetiva e social) às crianças é comum hoje em dia. No início do século passado, porém, essa idéia foi uma verdadeira revolução no ensino. A teoria de Wallon abalou as convicções numa época em que memória e erudição eram o máximo em termos de construção do conhecimento. Wallon foi o primeiro a levar não só o corpo da criança mas também suas emoções para dentro da sala de aula. Fundamentou suas idéias em quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu como pessoa. (www.educarparacrescer.abril.com.br).

Wallon valoriza a relação professor-aluno e a escola como elementos fundamentais no processo de desenvolvimento do indivíduo ("pessoa completa").
Através da sua teoria psicogenética, definia a criança como um ser integral, corpo e mente indissociáveis, englobando a cognição, a afetividade e os níveis biológicos e socioculturais. 

A noção de pessoa apresentada por Wallon é uma síntese dos conjuntos funcionais (afetivo, motor e cognitivo) e integração dinâmica entre o orgânico e o social.

"É contra a natureza tratar a criança fragmentariamente. Em cada idade, ela constitui um conjunto indissociável e original. Na sucessão de suas idades, ela é um único e mesmo ser em curso de metamorfoses. Feita de contrastes e de conflitos, a sua unidade será por isso ainda mais susceptível de desenvolvimento e de novidade."

"[...] a coesão de reações, atitudes e sentimentos, que as emoções são capazes de realizar em um grupo, explica o papel que elas devem ter desempenhado nos primeiros tempos das sociedades humanas: ainda hoje são as emoções que criam um público, que animam uma multidão, por uma espécie de consentimento geral que escapa ao controle de cada um. Elas suscitam arrebatamentos coletivos capazes de escandalizar, por vezes, a razão individual." 

Fonte: FERREIRA, A. L.; ACIOLY-RÉGNIER, N. M. Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e afetividade na educação. Educar. n. 36, p. 21-38, 2010. 

Um comentário:

  1. Realmente afetividade professor-aluno, colabora para criar um ambiente de relação com confiança, em qualquer nível de ensino, entretanto isso fica muito difícil na escola pública, pois são crianças que na maioria das vezes não tem essa afetividade e até ganharmos sua confiança demora, as vezes uns 3 meses ou mais.
    Depois que essa afetividade é estabelecida a confiança vem junto, é como se abrisse um caminho para chegarmos ao seu eu interior. Mas as dificuldades de aprendizagem já estão nele e não temos como resolver sem ter uma estrutura adequada. O mesmo acontece na Universidade, nossos alunos chegam com defict de aprendizagem e muitas vezes desistem do curso, por não verem como acompanhar.Ai nesse momento deveria entrar o PTA ou Tutor, eu costumo leva-los para a pesquisa, os que não precisam trabalhar, e isso tem dado resultado, muitos desistem de deixar o curso quando inseridos na pesquisa, monitoria e aulas mais interativas, vivenciadas nos conteúdos que são trabalhados.
    Infelizmente, nem todos tem essa possibilidade pela necessidade de trabalho para pagar a faculdade.
    Muitas fases de desenvolvimento não foram exploradas e isso contribui para a nossa realidade educacional.

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